Mais 2.600 imóveis sem aquecimento em Kyiv após novo ataque russo
Mais outros 2.600 prédios de habitação em Kyiv ficaram hoje sem aquecimento na sequência de novo ataque aéreo noturno das forças russas sobre infraestruturas energéticas um pouco por toda a Ucrânia, com 24 mísseis e 219 drones.
Segundo a Força Aérea ucraniana dos 24 projéteis de longo alcance, 15 foram derrubados pelas defesas antiaéreas, tendo os outros nove mísseis balísticos e 19 dos drones causado impactos em 13 localizações diferentes do território, designadamente nas regiões de Kyiv, Kharkiv, Dnipro e Odessa.
"Após os ataques maciços da noite passada, quase 2.600 novos edifícios ficaram sem aquecimento", disse o autarca da capital ucraniana, Vitali Klitschko, acrescentando que mais de mil edifícios já estavam sem aquecimento devido a outros bombardeamentos recentes.
As partes em conflito têm vindo há meses a atingir alvos semelhantes que provocam, de ambos os lados, interrupções no abastecimento de eletricidade ou gás às populações, algo agravado pelas temperaturas negativas que se fazem sentir na região.
Segundo a Amnistia Internacional (AI), a Ucrânia perdeu mais de metade da capacidade de produção e 80% do país foi afetado por cortes de energia de emergência.
Civis e funcionários daquela organização não governamental relataram que há blocos de apartamentos gelados, tubagens congeladas e rebentadas, elevadores parados, telemóveis descarregados e redes telefónicas interrompidas.
Muitos ucranianos dormem vestidos com o máximo de roupa possível, recorrem a fogões a querosene para aquecer tijolos e garrafas de água ou outras soluções de aquecimento perigosas, como montar tendas de acampamento dentro dos quartos e acender velas para combater o frio, descreveu ainda a AI.
Rússia tenta recrutar ucranianos para registar terminais Starlink
As autoridades ucranianas alertaram que forças russas estão a tentar recrutar cidadãos ucranianos para registarem terminais Starlink que depois seriam usados por tropas russas no terreno. A prática, segundo Kiev, constitui um crime em território ucraniano.
O alerta surgiu depois de vários titulares de números de telefone ucranianos terem recebido, a 11 de fevereiro, uma mensagem do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU).
No aviso, as autoridades informavam que militares russos estariam a tentar convencer ucranianos a registar terminais Starlink para utilização pelas suas unidades.
A mensagem também sublinhava que esse tipo de colaboração é considerado um crime na Ucrânia.
Uma imagem insólita vinda do campo de batalha mostra até que ponto a internet por satélite se tornou essencial na guerra moderna. Segundo relatos divulgados, o exército russo terá começado a montar terminais Starlink em cavalos, numa tentativa de melhorar a cobertura de comunicações em zonas onde o sinal é fraco ou inexistente.
Registo obrigatório para travar uso russo
O aviso surgiu cerca de uma semana depois de o Ministério da Defesa da Ucrânia ter chegado a acordo com a SpaceX, empresa responsável pela Starlink, para tornar obrigatório o registo dos terminais no país. A medida tem como objetivo impedir que o equipamento seja utilizado por forças russas.
O Kyiv Independent pediu mais detalhes ao SBU, mas não tinha recebido resposta até ao momento da publicação da notícia original.
No dia 10 de fevereiro, o Quartel-general de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra da Ucrânia revelou que a Rússia estaria a pressionar famílias de prisioneiros ucranianos para registarem terminais Starlink.
Internet vital para operações militares
Capaz de fornecer internet de alta velocidade sem necessidade de cabos ou redes móveis locais, a Starlink tornou-se uma tecnologia valiosa para ambos os lados da guerra.
Os terminais são utilizados tanto para comunicações do dia a dia em posições da linha da frente e postos de comando, como para controlar veículos aéreos e terrestres não tripulados de longo alcance, especialmente em ambientes onde outros sistemas de comunicação não funcionam.
Terminais russos ficaram inativos
Com a entrada em vigor do novo sistema de registo, negociado entre o ministro ucraniano da Transformação Digital, Mykhailo Fedorov, e o responsável da SpaceX, Elon Musk, vários terminais Starlink não registados deixaram de funcionar no campo de batalha.
Segundo fontes ucranianas, a situação terá provocado dificuldades significativas às forças russas.
Para funcionar na Ucrânia, um terminal Starlink tem agora de ser registado. O processo pode ser feito diretamente através da aplicação Army+ para militares, pela aplicação governamental Diia para empresas, ou nos centros de serviços administrativos para civis.
Rússia procura ucranianos para contornar sistema
Perante a perda de acesso a esta tecnologia, a Rússia terá começado a procurar formas alternativas de registar terminais dentro da Ucrânia.
A 7 de fevereiro, o especialista em comunicações Serhii “Flash” Beskrestnov, recentemente nomeado conselheiro de Fedorov, afirmou que a Rússia estaria a procurar ativamente ucranianos dispostos a fazer o registo, oferecendo pagamentos até 10.000 hryvnias, cerca de 200 euros.
Segundo as autoridades, a utilização de um terminal registado de forma irregular poderá ter consequências criminais para quem colaborar com este tipo de operação.
Duas pessoas morreram em novos ataques da Rússia em Odessa e Zaporíjia
Pelo menos duas pessoas morreram em novos ataques realizados pelo Exército russo na madrugada de hoje contra as províncias ucranianas de Odessa e Zaporíjia.
Os ataques russos mataram uma pessoa num porto da região de Odessa e atingiram infraestruturas energéticas na cidade vizinha de Mykolaiv, segundo as autoridades ucranianas.
O vice-primeiro-ministro para a Recuperação da Ucrânia, Oleksiy Kuleba, acusou Moscovo de um ataque "massivo" contra vários locais na região ucraniana de Odessa, incluindo um dos seus portos, e acrescentou ainda que seis civis ficaram feridos, três deles em estado grave.
O chefe da administração estatal de Odessa, Oleh Kiper, informou que os ataques danificaram armazéns de fertilizantes no porto, incendiaram quatro veículos e vagões de carga e danificaram uma clínica médica.
Entretanto, o governador de Zaporíjia, Ivan Fedorov, informou que uma mulher de 57 anos morreu num ataque à cidade de Orikhov.
"O inimigo continua a aterrorizar os civis em Zaporíjia", lamentou o governador provincial, cuja região está parcialmente ocupada pela Rússia.
A Força Aérea ucraniana declarou que as tropas russas lançaram um míssil Iskander e 154 drones contra o país nas últimas horas, acrescentando que 111 dos drones foram abatidos. O míssil e outros 22 drones atingiram alvos em 18 locais.
O Ministério da Defesa russo informou que 58 drones ucranianos foram destruídos durante a noite, incluindo 43 na região de Volgogrado, sem informar se houve vítimas ou danos materiais. A estes, juntam-se doze drones abatidos em Rostov, dois em Kursk e um na península da Crimeia, anexada por Moscovo em 2014.
Kyiv recupera 200 quilómetros quadrados de território
A Ucrânia recuperou 201 quilómetros quadrados de território às forças russas entre quarta-feira e domingo, refere hoje uma análise de dados militares, num avanço associado a falhas nas comunicações russas via satélite Starlink.
De acordo com os dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês) analisados pela agência de notícias France-Presse, as forças de Kiev não reconquistavam uma área tão extensa num período tão curto desde a contraofensiva lançada em junho de 2023.
A superfície recuperada corresponde a quase a totalidade dos ganhos territoriais obtidos pela Rússia durante o mês de dezembro, estimados em 244 quilómetros quadrados.
O ISW, que colabora com o Critical Threats Project, sustentou que os contra-ataques ucranianos poderão estar a beneficiar de um bloqueio no acesso das forças russas ao sistema de comunicações por satélite Starlink.
Bloguistas militares russos relataram interrupções nas antenas utilizadas por Moscovo nas linhas da frente, afetando comunicações e cadeias de comando.
A 05 de fevereiro, observadores militares russos já tinham mencionado dificuldades, na sequência de anúncios do empresário Elon Musk sobre medidas destinadas a impedir o uso da tecnologia pelo Kremlin.
Kiev acusou anteriormente as forças russas de utilizarem o Starlink, nomeadamente em drones, para contornar sistemas de interferência eletrónica e melhorar a precisão dos ataques.
A mesma análise indicou que na última semana apenas se registaram avanços russos a 09 de fevereiro, tendo nos restantes dias as forças ucranianas conquistado terreno.
As recapturas concentram-se sobretudo a cerca de 80 quilómetros a leste da cidade de Zaporijia, numa área onde as tropas russas vinham a registar progressos desde o verão de 2025.
Em meados de fevereiro, Moscovo controlava total ou parcialmente 19,5% do território ucraniano, face a 18,6% no mesmo período do ano anterior.
Cerca de 7% do território, incluindo a Crimeia e parte do Donbass (região no leste da Ucrânia), já se encontrava sob controlo russo antes da invasão em larga escala lançada em fevereiro de 2022.
Rússia admite que guerra na Ucrânia continuará até atingir os objetivos
"Na sua totalidade, é verdade que os objetivos não foram atingidos. Por isso, a operação militar especial continua", disse Dmitri Peskov, porta-voz da Presidência russa, na sua conferência de imprensa diária por telefone.
Peskov concordou, por isso, com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que sublinhou que Moscovo não conseguiu o que pretendia quando lançou a sua invasão em larga escala em 24 de fevereiro de 2022.
Contudo, o porta-voz russo considerou que o exército russo atingiu "o objetivo principal, que era garantir a segurança das pessoas que vivem no leste da Ucrânia e que estavam em perigo de morte".
Hoje, quando se completa quatro anos de guerra, Peskov lamentou que a campanha militar contra Kyiv se tenha "tornado, após a interferência direta no conflito dos países da Europa ocidental e dos Estados Unidos, num confronto muito maior entre a Rússia e os países ocidentais, que perseguiram e ainda perseguem o objetivo de esmagar" o regime de Moscovo.
Ao mesmo tempo, o porta-voz afirmou que, embora "a operação militar especial continue, a Rússia continua aberta a alcançar os seus objetivos por meios políticos e diplomáticos".
"Em qualquer caso, os interesses russos serão garantidos", afirmou.
Peskov sublinhou que a esperança de alcançar uma solução pacífica na Ucrânia, "desde o início" do conflito, nunca foi abandonada. Entretanto, culpou o Ocidente pelo processo de paz abortado, que havia sido iniciado em março de 2022, e pelo "regresso ao rumo militar".
"Continuamos os nossos esforços pela paz. A nossa posição é clara e consistente. Agora tudo depende das ações do regime de Kyiv", disse.
Em relação à quarta ronda de negociações mediadas pelos Estados Unidos, afirmou que ainda não há um acordo final sobre as datas e o local da reunião, embora tenha manifestado confiança de que "o trabalho vai continuar".
Peskov enfatizou ainda que a sociedade russa sofreu "mudanças fenomenais" nestes quatro anos, que resultaram numa consolidação do apoio ao presidente Vladimir Putin, embora as sondagens independentes indiquem que a maioria dos russos deseja um fim urgente das hostilidades.
"Os olhos da Rússia abriram-se para muitos processos internacionais, para como estabelecer relações com muitas organizações internacionais e capitais", afirmou.
Os meios de comunicação independentes publicaram hoje que o exército russo perdeu mais de 200 mil homens em quatro anos de conflito, que dura há mais tempo do que a participação da União Soviética (URSS) na Segunda Guerra Mundial (1941-1945).
O Kremlin anexou unilateralmente quatro regiões ucranianas em 2022, mas o exército russo não conseguiu conquistá-las, uma vez que Kyiv ainda controla mais de um quinto de Donetsk e um terço de Kherson e Zaporijia.
Rússia "já não é superpotência", mas explora medo nuclear
Embora conserve ogivas suficientes para desempenhar um papel de destaque na diplomacia nuclear, "tudo o que está abaixo disso não tem nada a ver com uma grande potência", limitando-se a "explorar o sentimento de medo nos seus inimigos", defende, em entrevista à Lusa, o professor de política internacional na universidade pública militar de Bundeswehr, em Munique, no dia em que se assinalam quatro anos da invasão russa da Ucrânia.
Num momento em que as autoridades de Moscovo se debatem com o impasse militar no país vizinho e baixas acima de um milhão de soldados, além de danos severos na sua economia de guerra, em qualquer circunstância o Kremlin "controla a mensagem" no su país, segundo o autor do livro "Se a Rússia Vencer -- Um Cenário", que hoje é lançado pela Pinguin em Lisboa.
Apesar do impasse no campo de batalha e da incerteza nas negociações de paz trilaterais promovidas pelos Estados Unidos, o politólogo observa que os líderes europeus não podem perder a noção de que a Rússia persegue "ambições imperialistas" e "a destruição da NATO", num objetivo que não se encerra com a guerra na Ucrânia, o que alimenta o enredo do seu livro.
Na obra, o autor cria um cenário com base na sua experiência académica, e em linha com análises de serviços de informação ocidentais, para sustentar o perigo de uma nova agressão russa, três anos após uma suposta capitulação da Ucrânia e cedência dos territórios reivindicados por Moscovo, devido à fadiga de guerra e falta de apoio militar.
O cenário proposto implica a invasão de uma pequena cidade, Narva na Estónia, sob pretexto de proteção da minoria russa no país báltico, como forma de testar uma reação da NATO, que não consegue reunir consenso para aplicar o seu artigo 5.º sobre proteção mútua e deixa o Governo de Tallinn por sua conta.
Para este desfecho, contribui a falta de empenho da Casa Branca e o argumento de arriscar a Terceira Guerra Mundial por uma pequena cidade báltica, mas também manobras de diversão da China nas Filipinas e de vagas de migrantes de africanos no Mediterrâneo, ambas promovidas por Moscovo, que levam ao desvio de atenções e meios militares das forças da NATO.
Apesar de a cronologia dos acontecimentos parar em Narva, o investigador, que lidera o Centro de Estudos de Informações e Segurança da Universidade de Bundeswehr e foi vice-diretor de pesquisa do Colégio de Defesa da NATO, em Roma, avisa que a incapacidade da Aliança Atlântica em responder a uma agressão contra um seu membro, mesmo que pequena, seria já uma vitória para a Rússia.
Quando começou a escrever o livro, na primavera do ano passado, já havia "relatórios dos serviços de informação militares a dizer que os russos teriam até 2029 um exército suficientemente forte para travar uma guerra contra um país da NATO, se fosse politicamente desejado".
Em reação, recorda que houve muitas críticas a esta avaliação e argumentos de que "a Rússia não é assim tão estúpida para atacar a NATO", devido justamente ao artigo 5.º e incapacidade de progredir nas frentes ucranianas.
"Mas talvez estivéssemos todos a olhar para tudo isto de uma forma errada, talvez não se tratasse de atacar um país da NATO, mas apenas colocar a NATO em teste", lembra Carlo Masala, assinalando que, no caso do cenário apresentado, o teste russo acabaria por resultar no "colapso da Aliança".
Como condição para este panorama, o autor observa o apoio atual e real dos Estados Unidos à cedência do Donbass, no leste da Ucrânia, no âmbito de um acordo de paz proposto pela Casa Branca, em benefício do líder do Kremlin, Vladimir Putin, ainda que longe das metas maximalistas proclamadas em 2022 de tomar o país e depor o regime de Zelensky.
"Os objetivos mudam durante uma guerra e, quando se tem um sistema totalitário, é possível controlar as mensagens enviadas ao povo", adverte o investigador, insistindo que o controlo total do Donbass "seria vendido na Rússia como uma vitória", na medida em que "não precisaram ceder um centímetro nas negociações e ainda exigem eleições na Ucrânia e nada de tropas europeias no terreno" para vigiar um cessar-fogo. Em suma, "a guerra é um desastre, mas podem apresentá-la como querem".
Ainda que resista e, num cenário limite oposto ao que propõe na sua obra, isto é, se a Ucrânia conseguir um acordo aceitável e vencer, Carlo Masala duvida que Moscovo "se mantenha quieta por muito tempo", após ter perdido o seu espaço de influência em países como a Venezuela, a Síria e possivelmente o Irão.
"A Europa é o último campo de ação de que dispõem. E como a Rússia quer recuperar a sua grandeza, é de esperar que se tornem ainda mais duros", prevê o académico, ao mesmo tempo que duvida da possibilidade do colapso da economia russa, embora estagnada e sob efeito de inflação elevada, devido ao esforço de guerra, associado ao peso das sanções internacionais e redução drástica das receitas petrolíferas.
Os Estados totalitários "têm mais possibilidades de oprimir o povo, mesmo que a economia seja má, do que as democracias", adverte, dando como exemplo uma subida inesperada do IVA em 2%, deliberado pelo Governo de Moscovo "da noite para o dia", e que "num país como a Alemanha e presumivelmente Portugal levaria de imediato as pessoas para a rua em protesto, mas não na Rússia, porque toda a gente sabe que haverá repressão".
"Por isso, não vejo que nem a pressão económica nem a situação no campo de batalha possam mudar alguma coisa com Putin", afirma, a não ser que os indicadores se degradem a tal ponto que o próprio círculo do Presidente russo entendam que é melhor substitui-lo: "Mas isso não posso especular porque não sou criminólogo", ironiza.
Por outro lado, a Rússia continua a ter uma aliança com a China, "que visa basicamente alterar a ordem internacional", se bem que reduzida à condição de parceiro subalterno ou "bomba de gasolina de baixo custo" dos chineses, como se ironiza no livro, em alusão à venda de crude barato a Pequim como forma de contornar as sanções ocidentais.
"Os russos não têm outra escolha, é essa a questão", refere o politólogo, a propósito da sua dependência da China, cuja diplomacia nunca condenou a invasão da Ucrânia.
Mas as diferenças entre os seus países são enormes, avalia, tomando emprestada uma definição que ouviu nos meios das relações internacionais em que os chineses "são alterações climáticas e adaptam-se" e os russos "um tsunami destruidor", que uma vez passado pode dar lugar à reconstrução.
Em relação à Ucrânia, os líderes russos favorecem o diálogo com os Estados Unidos, insistindo num estatuto de "grande poder com grande poder", desprezando os países europeus como "potências de segundo escalão".
"Acho muito engraçado que as pessoas pensem que, se os europeus forem a Moscovo, a guerra na Ucrânia terá terminado", comenta o investigador, mas o mais certo seria "o Kremlin recebê-los todos, e até com grande espetáculo, mas nada vai mudar".
Reconstrução vai ser debatida com EUA na 5.ª-feira em Genebra
Kyiv estará representado na reunião pelo chefe do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, Rustem Umerov, e pelo ministro da Economia do país, Oleksiy Sobolev, que discutirão o assunto "em detalhe" com os enviados de Washington Steve Witkoff e Jared Kushner.
Segundo a agência de notícias ucraniana Interfax, Witkoff já tinha anunciado na terça-feira que se iria reunir com Umerov na quinta-feira.
"O primeiro ponto da agenda será o 'Pacote da Prosperidade', o pacote de reconstrução da Ucrânia, que será discutido em detalhe", disse Zelensky sobre o conteúdo desta reunião, numa mensagem de voz enviada ao grupo de WhatsApp de jornalistas que cobrem assuntos ucranianos.
A Ucrânia espera assinar um acordo com os norte-americanos e europeus que garanta o investimento estrangeiro após a guerra para reconstruir o país e dinamizar a sua economia, severamente afetada pela invasão russa.
Sobre a próxima reunião trilateral, com norte-americanos e russos, Zelensky explicou, na mesma mensagem, esperar que aconteça já nos próximos dias.
"Será, na nossa opinião, no início de março", disse.
Zelensky reafirmou ainda esperar que desta nova reunião trilateral resulte, pelo menos, outra troca de prisioneiros.
A reconstrução da Ucrânia deverá custará cerca de 500 mil milhões de euros na próxima década, segundo um relatório conjunto das autoridades ucranianas, Banco Mundial, União Europeia e Nações Unidas divulgado na segunda-feira.
O relatório, que foi divulgado na véspera do quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia, aponta os setores da habitação, dos transportes e da energia como os mais afetados.
Os danos e as necessidades concentram-se em regiões próximas da frente e em grandes áreas urbanas ucranianas, indica o relatório.
Pelo menos quatro mortos em ataque com drones a fábrica na Rússia
"Quatro funcionários da empresa (Dorogobozh) morreram tragicamente enquanto trabalhavam. Outros dez ficaram feridos", declarou o governador da região, Vasily Anokhin, nas redes sociais.
Na rede social Telegram, o governador afirmou que a região de Smolensk foi vítima de um ataque massivo com drones ucranianos durante a noite.
"As defesas aéreas russas abateram 14 drones, mas infelizmente há vítimas civis", disse.
Anokhin afirmou que os feridos foram levados para um centro médico, onde estão a receber os cuidados necessários.
"Para minimizar as possíveis ameaças à população, está a ser considerada a possibilidade de retirar os residentes da cidade mais próxima", disse, prometendo que as autoridades oferecerão todo o apoio necessário às famílias dos mortos e feridos.
Anteriormente, vários canais independentes russos noticiaram, com base em fotos e vídeos de residentes locais, o ataque à fábrica de Smolensk, que produz amoníaco.
As defesas aéreas russas abateram 69 drones ucranianos durante a noite em nove regiões da Rússia e do Mar Negro, informou hoje o Ministério da Defesa russo.
Já as autoridades da Ucrânia declararam hoje que as forças russas lançaram 115 drones sobre o seu território e que as defesas aéreas ucranianas abateram 95 destes nas últimas horas.
A Ucrânia e a Rússia trocam diariamente ataques com drones e mísseis contra as infraestruturas críticas uma da outra, como parte de uma guerra de desgaste destinada a minar as capacidades do inimigo.
A guerra na Ucrânia, que se alargou após a invasão em grande escala das tropas russas, completou quatro anos na terça-feira.
Londres diz que a Rússia está a recorrer a tropas com pouco treino
A Rússia invadiu a Ucrânia em 2014 anexando a Península da Crimeia e lançou uma ofensiva de grande escala no dia 24 de fevereiro de 2024 contra todo o território ucraniano.
De acordo com os serviços de informações do Executivo de Londres, aliado de Kyiv, a Rússia está neste momento a "reestruturar as forças" devido ao número de baixas elevado o que limita a capacidade de formar novas unidades ou reconstituir as existentes.
"As mais de 1.250.000 baixas russas, incluindo mortos e feridos, prejudicaram a qualidade da força russa", indicaram os serviços britânicos de informações ligados ao Ministério da Defesa.
Segundo os mesmos dados, a maioria dos efetivos do Exército russo, atualmente, receberam treino mínimo, obrigando os comandantes a utilizar táticas básicas para obter avanços.
Neste sentido, Londres referiu que as forças russas adaptaram as táticas, aumentando a utilização de veículos ligeiros, aparelhos aéreos não tripulados e equipas de infiltração, permitindo ultrapassar as posições defensivas ucranianas e perturbar a logística da Ucrânia.
O relatório do Governo britânico, divulgado hoje através das redes sociais, menciona que Moscovo "acelerou" os "avanços territoriais" na Ucrânia em 2025, atingindo o auge no final do ano.
Apesar dos avanços, o documento acrescenta que as operações ofensivas contínuas foram apoiadas pela "tolerância" da liderança russa face às elevadas baixas e pela vantagem quantitativa das forças da Rússia em relação ao contingente militar ucraniano.
Israel anuncia nova ajuda energética a Kyiv nos quatro anos da guerra
"Enquanto o mundo comemora quatro anos desde o início da guerra na Ucrânia, Israel solidariza-se com o povo ucraniano", frisou o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita, confirmando a entrega de 117 centrais elétricas portáteis à região de Kyiv.
O acordo foi finalizado durante uma chamada telefónica entre o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, e o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sibiga, que se focou nas "necessidades energéticas urgentes".
"Enquanto as comunidades continuam a enfrentar ataques a infraestruturas críticas, Israel continua empenhado em prestar assistência humanitária prática e vital no terreno", acrescentaram as autoridades israelitas.
A Ucrânia está a viver hoje um dia de reconhecimento pela sua resistência à invasão em larga escala da Rússia, contexto em que o Presidente, Volodymyr Zelensky, sublinhou que a ofensiva de Putin para ocupar a Ucrânia "não quebrou o povo ucraniano".
"Hoje, completam-se exatamente quatro anos desde que Putin planeou tomar Kyiv em três dias. E isto diz muito da nossa resistência, de como a Ucrânia tem lutado durante todo este tempo", escreveu Zelensky na sua conta na plataforma digital Telegram, destacando "a grande coragem, o trabalho duro, a perseverança e o longo caminho" enfrentado por milhões de compatriotas desde 24 de fevereiro de 2022.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Canadá anuncia mais de 250 milhões em ajuda e sanções a frota fantasma
"O Canadá mantém-se firme na defesa da soberania e integridade territorial da Ucrânia. A Rússia deve ser responsabilizada pelos danos, destruição e perdas causados pela sua agressão não provocada", enfatizou a ministra dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand, assinalando o quarto ano desde o início da invasão russa em larga escala da Ucrânia.
O ministro da Defesa canadiano, David J. McGuinty, afirmou, por sua vez, que Otava "continuará a apoiar" Kyiv.
"Estamos a assegurar que a Ucrânia tem as ferramentas para defender a sua soberania, proteger o seu povo e procurar uma paz justa e duradoura", frisou, em comunicado.
No âmbito das comemorações do quarto aniversário da guerra na Ucrânia, o Governo canadiano anunciou uma série de medidas, incluindo a doação de mais de 400 veículos blindados a Kyiv e a prorrogação da Operação UNIFIER, que permite aos membros das Forças Armadas treinar militares ucranianos, até 2029.
O Canadá planeia atribuir 2 mil milhões de dólares (1,69 mil milhões de euros) em assistência militar a Kyiv no ano fiscal de 2026-2027 e mais 20 milhões de dólares (16,9 milhões de euros) ao Fundo de Apoio Energético da Ucrânia, que permite reparações no sistema energético ucraniano.
O Governo canadiano, liderado pelo primeiro-ministro Mark Carney, anunciou ainda que vai reduzir o teto do preço do crude russo de 47,60 dólares para 44,10 dólares, em linha com o recente acordo assinado pela União Europeia.
A coligação do G7 para o limite do preço do petróleo estabeleceu um mecanismo em 2022 para limitar o preço do petróleo bruto russo, restringindo os operadores da UE de fornecerem serviços de transporte e serviços relacionados para o petróleo bruto e derivados russos caso sejam vendidos a preços iguais ou inferiores ao teto de preço correspondente.
O mecanismo foi especificamente concebido para exercer uma maior pressão sobre as receitas petrolíferas da Rússia, mantendo a estabilidade dos mercados globais de energia através da continuidade do fornecimento, segundo a Comissão Europeia.
"As novas medidas do Canadá aumentarão ainda mais os custos económicos para a Rússia devido à sua invasão da Ucrânia, restringindo as suas receitas energéticas e facilitadores financeiros, incluindo a infraestrutura de criptomoedas, ao mesmo tempo que degradam as capacidades militares convencionais e híbridas da Rússia, incluindo o seu ecossistema de IA e a produção de drones", referiu o Governo canadiano em comunicado.
A Ucrânia está a viver hoje um dia de reconhecimento pela sua resistência à invasão em larga escala da Rússia, contexto em que o Presidente, Volodymyr Zelensky, sublinhou que a ofensiva de Putin para ocupar a Ucrânia "não quebrou o povo ucraniano".
"Hoje, completam-se exatamente quatro anos desde que Putin planeou tomar Kyiv em três dias. E isto diz muito da nossa resistência, de como a Ucrânia tem lutado durante todo este tempo", escreveu Zelensky na sua conta na plataforma digital Telegram, destacando "a grande coragem, o trabalho duro, a perseverança e o longo caminho" enfrentado por milhões de compatriotas desde 24 de fevereiro de 2022.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Quinze feridos em ataque russo a Kyiv, Krivi Rig, Zaporijia e Kharkiv
Pelo menos 15 pessoas ficaram feridas na sequência de um ataque russo com drones de longo alcance e mísseis, na quarta-feira à noite, contra as cidades de Kyiv, Krivi Rig, Zaporijia e Kharkiv.
Na capital, o bombardeamento causou danos materiais em três distritos, sem que, até ao momento, se registem vítimas, de acordo com o presidente da câmara, Vitali Klichkó.
Em Krivi Rig, uma cidade industrial situada na região de Dnipropetrovsk, centro-leste da Ucrânia, uma pessoa ficou ferida devido ao impacto de um drone Shahed russo-iraniano num edifício residencial.
No que diz respeito a Zaporijia, cidade no sudeste da Ucrânia próxima da frente de batalha, cerca de 500 edifícios residenciais ficaram sem aquecimento devido ao ataque russo, indicaram as autoridades locais.
Em Kharkiv, a administração militar regional informou a existência de 14 feridos na cidade e na região homónima.